sexta-feira, novembro 30, 2007


Tenho um ferro enviusado na caixa!
Se respiro com força dói-me, se não respiro entupo-me em imagens mentais que fazem tilt! No meu corpo todo.
Tenho os olhos cansados de não te ver e sinto-me ínfima diante da grandeza das tuas ausências. Podia estar quieta dentro da caixa de jóias.
Abres a caixa e achas-me sempre pronta, mas tens de dar corda se não, não posso dançar para ti. Fico ali, só a olhar…
Inerte…como os teus olhos…
Quando fechas a caixa sou livre e danço no veludo contemporânea! Nunca mostro a ninguém… Não vivo só para ti, mas sou tua.
Não sei muito bem como fui parar à tua caixa…concha…
Trago ainda areia nos cabelos, que faz barulhinhos à laia de música com que danço as minhas eternas/etéreas maresias…


26 de Nov. 2007
(1 rua de Lisboa, 1 degrau-sofá, 1 frio-casaco que amarrota o corpo. Espera.)

quarta-feira, novembro 14, 2007




Tudo começou com uma insónia e vontade de escrever outra vez…Então dei comigo, à falta de papel, a escrever na minha agenda, Agosto. Tudo começa aí. Acho que pode ter continuidade, apenas sensações e respirações…

Agosto

Um pacote enorme de sensações e pessoas…que não nos passam despercebidas e (também) não se esquecem.
Todos são muito e tudo.
E isso é importante!
Ou as coisas são o que são, mas nós estamos com mais tempo em todo o corpo e alma.

Muuuuuuuito bom!

12 de Novembro 2007
(Alvim says: Love and Lone-laughter)


Setembro

A Família da Praia.
ME AND THE LIONS!
Ou
Eu, “Entregue aos Leões” !

12 de Novembro 2007
(Com que Garras me aGarras!)


Outubro

O Choque Térmico-sem-Maresia…
O coração ainda na praia, quase sem ar…
E o corpo todo num sitio longe do fogo salgado.
Respirações até aos pés de: wich i were…
Choque Térmico!
Brrrrrrrrrrrrr!

12 de Novembro 2007
(Alvim on the Fire)

Novembro

Encontros e Des-Encontros…
E estados de risos. É assim…
…Comunicar
Quase sem falar, é bom quando se está…
Lone-Ranger-Urbano, Lone-Ranger-da-Lezíria, os Lones-da-Praia
mais os que andam espalhados por toda a parte
Longging for that Light!

12 de Novembro 2007
(Alvim nº5 Ilha de Tavira, in spite…I love ya!

segunda-feira, março 05, 2007


Orange Juice to after dinner!
Lovely exchange of fluids!
“Premium Quality Cards” Tens trunfo ou ‘tás seco? Tenho dois ases e uma bisca, pisga-te! Fisga com que lanço sentidos na tua direcção, lançaste-me no espaço e fiquei pendurada no cosmos, sem gravidade… Softly!
Nada de grave…puxa-me pelo meu pé esquerdo e eu volto de mansinho a respirar facetada estrelas que me saem da boca: pirotlitos-do-cosmos!
Pirolitos na cabeça, não se adequa que avariem. Yes. Temos lucidez na rapidez da viagem e desfrutamos de todos os aromas! Todos os poros disponibilizados para nos conectar. Conection. Gloss and laughter! Mergulhamo-nos inside. Sem braçadeiras!
Kit-mãos-livres, kit-freedom.
Let it be, smooth as rainbow.

3 De Março 2007
(me S-oftly L-oving B-eauty. you’ve got me under your skin! Play it again Sam!)

As peles tocam-se e os destinos voam velozes sem darmos conta.
E a realidade transforma-se em segundos. Que será de nós? Que será de nós sem nos transmutarmos inside... Essa é a chave, e as portas abrem-se de par em par… para mundos nunca dantes navegados, para lugares re-visistados que parecem novinhos em folha!
O amor e a luz permanecem sempre colados como autocolantes, como se fossemos uma caderneta de coleccionar momentos. E a qualidade da luz que muda, se altera, se esbate e refracta criando novas coreografias!...
É pacífico o momento, e da troca temos Good Memory, Mood…
A vida continua assim como os nossos passos nos dias que absorvemos On and On sem botão do desligar… Temos o “Pause”, valha-nos isso! Risos. O cheiro dos ADNs em forma de suspiros fluidos. Líquidos que fomos assumindo todas as formas e volumes que Altos se convertem em risos-internos.

3 De Março 2007
(S-ilêncios L-iteralmente B-ons. Drink me Up!)

As palavras macias que me escorrem da cabeça ao braço, que danço ou escrevo, que escrevo ou sonho ainda têm virgulas e reticentes mostram-se tímidas.
O valor que lhes dou é o poder que elas têm, mas não confio ainda totalmente no meu poder interno que parece ser enorme e vem-me da alma. É só por isso que sei da pureza e justiça dos sentimentos e sentidos, porque vêm daí, desse “estranho” floco-de-luz-etéreo, que muito poucos sabem que têm e dão tão pouco valor. É aí que está toda a sabedoria concentrada, como uma semente, do aqui e agora, de todos os futuros e todos os passados... E ainda assim não sabemos atar os sapatos!

29 Nov. 2006
(ecus da alma)

O meu passado vem aí, inseguro, coma as pernas fracas, mas para me trazer a prenda de um encontro feliz, algo que esperava há muitos tempos. Vens aí e não sabes bem como, mas sabes o porquê que adiámos há tantos tempos! Sempre tive a certeza incerta deste encontro e quero-o com muito entusiasmo e susto-contente, pois que apesar de saber o amor, não sei o que nos espera...
Sei que vai ser um encontro de duas almas peregrinas que se conhecem há muito.
O mundo mergulha debaixo de água quase sem ar...e entre uma e outra respiração, será o nosso encontro absoluto e interno, eterno cheio de luz, para que nós nunca mais sintamos qualquer tipo de escuridão!



29 Nov. 2006
(ecus father earth/father heaven)

Neste tempo de paragem apenas o apego das saudades ainda me prende. A saudade de um outro tempo que talvez já tenha vivido e ainda não consigo lembrar-me pois que neste tempo ainda não aconteceu...
Tudo se repete, tudo voa e se transforma. Não conseguiria viver tanta serenidade se não soubesse tudo o que já sei hoje, and yet tudo o que já sei hoje faz-me viver sem a paixão dos sentidos que sorvia com tanta velocidade...
Sabia que era preciso uma mudança, e foi.
Mas ainda sinto a solidão marcada no corpo. Algo está ainda em transformação, ainda não se vê bem a luz. Que cor vai ter o meu corpo astral, qual é o propósito de tudo isto além do sofrimento ou da sabedoria? Cada dia que passa torna-se igual ao outro e eu não suporto rotinas, a única repetição que tolero é a do Kalpa (ciclo), pois que não me vou lembrar, on and on...
Pergunto-me porque sou escolhida para assistir ao fim dos tempos? Apenas sei que a minha essência é pura e talvez seja por isso.

21 Nov. 2006
(ecos in spirit)

No princípio era o amor! No primeiro dia foi o amor, veio a tarde e em seguida a manhã..
No segundo dia foi o amor, veio a tarde e em seguida a manhã...
O amor é eterno, vem antes dos tempos, antes do ovo ou da galinha, primeiro foi e sempre será o amor. A razão de toda a criação, toda a existência! Existe, é!
Sem sinónimos paralelos!

18 Nov. 2006
(S-o L-et it B-e!)

O ponto de luz que sai de dentro da minha caixa torácica no sentimento mais puro, mais orgânico, como se tivesse sido sempre meu! Subo a um espaço etéreo, que (felizmente) não é só meu!
Movimento-me como se fosse água-sem-peso, ondas mansas andam para lá ou para cá conforme um sopro suave. Vermelho-dourado Vê-se como um filtro que nos envolve inteiros... O silêncio é a paz e o riso.
É toda a plenitude. Ser uma onda e espalhar-me docemente como uma panqueca em slow motion na areia dourada. Uma e outra vez. Ser uma onda. A rebolar e a fundir-se com a areia, em gotículas a fazer amor com toda a terra! A água, a luz e todos os elementos no seu papel extraordinário!

27 Out. 2006
(S-ilêncios L-evemente B-rilhantes)

Aceito esta condição se é realmente isso que queres de mim...Que mais posso fazer senão aceitar tudo isto que tens e queres para mim...
Tenho de tirar daí as ideias, não é... I’m a lone ranger, as usual. Tenho medo de aceitar esta realidade e de ela se efectivar mesmo. And yet se o meu coração continua a combatê-la é porque sabe que há mais para mim, será?
E enquanto continuar a combater não disfruto da plenitude deste estágio!

6 Nov. 2006
(S-ilêncios L-igeiramente B-rutais)

quarta-feira, fevereiro 28, 2007


Carta-a-um-Deus-"conhecido" !


[Carta ao Pai Celeste, a quem chamo de Baba ( Shiv Baba) que em Hindi quer dizer: Doce Pai ]

Querido Baba, todo o amor, paz e luz!
Sempre esta ânsia de comunicação contigo e o amor; às vezes pensamos (risos) que o pensamento, a lembrança…só não chega. Por isso te escrevo estas cartinhas de amor, obrigado por tudo o que tem sido a minha vida, olho para trás e agradeço, agradeço! Porque apesar de tudo cresci, cresci tanto que ás vezes duvido-me! … Baba que sentimento este, que coisa esta de achar que tudo é uma brincadeira louca, como um cavalo à solta!... Parece que faço de conta que trabalho agora, neste lugar, nesta profissão… e a seguir tudo muda e se transforma numa fluidez abstracta (de que realmente não tenho o mapa) e não sabemos bem, que trilho seguir…e aprendemos sempre (depois…) que o mais fácil ou aparentemente mais bonito, não é o mais feliz! (risos) Ser feliz dá trabalho, pelo menos na questão fundamental que é o trabalho sobre nós mesmos. Quando encontramos a verdade essencial… Tudo se Re-Descobre cada vez mais fácil ou elementar. É a alegria dos Re-Encontros todos nos cruzamos e tornamos e tornaremos a cruzar. É assim o prazer dos risos! Dos velhos amigos, da partilha dos Dias-a-Dias, das ilhas (que somos…) a tornarem-se um só continente na languidez das marés de lua cheia!


9 de Fevereiro 2007
(S-ibilos L-ivres para B-aba)

quinta-feira, março 30, 2006


Que figadeiras, fígados de tigre, não movem moinhos!
Quem sabe, só Deus. Adeus até à vista. Esmagada como uma açorda de marisco, sinto um camarão cor-de-rosa preso na minha saia. Não consigo sair da panela. Barro. Lama donde somos todos feitos. Mais água menos água e faz-se um pote. Um jarrão chinês. Pauzinhos e shop suey. Que sabores refinados me vêm aos lábios carmim. Um copo de vinho espumante para fazer bolinhas em espirais, sobem-me do estômago à boca num arroto charmoso do estado gourmet. Acima e abaixo vão as condições e convenções sociais... God help me. Inside. God save the queen and us all! Porque vêm aí as catástrofes e nós ‘tamos distraídos. Fumo um cigarro contigo. That’s all. E tu confidencias ao teu melhor amigo: I use to love her... But she went away without saying anything! O amigo encolhe os ombros e pede mais uma. Brindamos aos amores perdidos por ter expirado o prazo de reclamação do prémio. Escreva um postal a reclamar o prémio para a RUA do BOM AMOR, apartado LOV LOV LOV. Pode ser que essa rapariga ainda esteja em stock.
I feel good e danço escandalosamente... com as pernas de fora!
Copos ensemble como os corpos que ardem de ânsias de querer...
Comporto-me como uma menina de igreja, muito muito casta.
Mas as voltas que o mundo dá, põe-nos de novo, no mesmo caminho.
Na mesma dança, risos.
See you latter Aligator!

26/27 De Fevereiro 2006
(S-abes L-ançar-te B-em.)

terça-feira, março 28, 2006


Perdidos e achados. Queria um cigarro. Achei-me na inércia das ausências. Falta-me força. Falta-me um fado p’ra cantar, pois que perdida o meu fado está na pele e nas rugas que me nascem todos os dias. Não sei se tenho tempo, nem cigarros que me valham.
A neve também cai de mansinho e parece tão doce como os meus desejos. No entanto provoca tantos bloqueios, como os meus pensamentos mais torpes.

23 De Fevereiro 2006
(S-ilêncios L-iquidos e B-reves.mais não posso.)


Não vás mais longe! Não fiques tão perto. As bolas escorriam pelos buracos como a cerveja nas goelas. Seca, como uma pancada estava a garganta. Mais uma cerveja que escorrega. Arroto leve com bolhinhas que saem pelo nariz.
Manter um ar sério e comprometido com o resto do mundo. Afagam-se solidões adiadas numa garrafa de cerveja. Que parece ser o antídoto para aturar todos os tédios da vida, todas as más escolhas ou as esperas.
A sobriedade põe a nu os nossos sentimentos mais primários vindos dos medos e das correspondências a que temos que seriamente corresponder.
Não vás mais longe, por um golo de cerveja.
Aqui e agora é que se afogam papões. Bela tacada, grande golo. Grande arroto! Bom proveito! Toma proveito do que tens e não tenhas a pretensão de que a cerveja será melhor num outro copo.
Moeda ao ar! Cara ou coroa e vem mais uma para a mesa. Um longo golo para matar a sede e esfriar o corpo por dentro, como uma cascata... Garrafas e mais garrafas para iluminar os sonhos. A rua é toda minha despida de gente. Percorro-a de um lado ao outro como um topógrafo para sabê-la minha. E rumo a mais uma fechadura a que chamo casa.


23 De Fevereiro 2006
(S-oube-me L-eve, B-ebi-a. Mais uma.)




O sexo feminino, dizem, começa a ganhar mais protagonismo, no mundo dos homens...
Só um toquezinho delicado com as mãos de uma mulher e a terra treme.
TILT! Taco a taco, abre o jogo. Escancara a tua janela! Não tenhas medo que os decotes contornem, adornem o que tens de mais belo e alimenta o mundo.
Já houve o tempo das mini-saias e do tornozelo que a descoberto fazia e desfazia as melhores famílias!
A mulher é uma bandeira, um hino.
Quem é esse ser capaz de carregar um homem novo nas próprias entranhas? Que luz é essa que ilumina todos os homens que sombreados se afoitam na noite escura à procura do archote que indica a porta de sua casa...
O sexo feminino é só uma diferença mais nada, no entanto contém em si a matriz do belo e da vida...
Não precisa de protagonismos, porque permanece incólume a todas as dissecações dos homens, até ao fim dos tempos.
Resiste! A toda a dor.

23 De Fevereiro 2006
(S-ábias L-ânguidas e B-elas. Exaltação feminina.“Gosto de ser mulher”)

Haviam Cadeiras Verdes arrumadas sem direito a nenhum rabo, porque não eram vermelhas e a cor do sangue corre nas veias e faz-nos parar no meio de todo o trânsito estridente. Não é nada contra o verde, mas o reclamar da atitude, da força de uma bandeira vermelha hasteada ao vento!
Os toiros também se inflamam no vermelho das capas que rodopiam na sua frente a reclamar a sua presença e toda a sua força em toneladas de fúria.
Assim é a força do vermelho e do sangue que nos corre nas veias! Quente!


23 De Fevereiro 2006
(SLB-Golegã. Cadeiras verdes a um canto)

quinta-feira, março 09, 2006


Olhares perguntadores, perguntam-se o que faço aqui, quem sou e o que é que vim fazer solitária e intrigante... Fumo os meus cigarros com a lentidão de quem espera alguma coisa. O que virá a seguir?
Quem serei eu afinal neste espaço e neste tempo...
Não posso responder nada a ninguém, pois se eu própria ainda me pergunto...


23 De Fevereiro 2006
(S-abedoria L-igeiramente B-aça. Pergunto-me...)

Quando me despes com os olhos fico cheia de frio, porque não me vestes, nem me aqueces... E arrefeço-me... sem a mais pequena faísca...
Se tens medo do fogo, não brinques com fósforos!
Acendo um cigarro no teu lume ténue. Fazes-me labirintos de fumo para eu encontrar a saída. Divirto-me nos teus enleios, fazes-me nervos-pequeninos que fazem rir nos intervalos das inércias...
Rodopio e torno a rodopiar com ânsias de lua-cheia, uivas para mim mas sempre ao longe! Como uma serenata quase inaudível.
Despida de pré-conceitos corro à velocidade da luz pela via láctea, donde só vislumbras o rasto dos meus cabelos. Ficas a olhar, só a olhar...
Estende a tua mão enorme e puxa-me para ti, cola a tua pele na minha a ver se ainda consigo respirar!
Não sabes como parar-me, pois não? Já sabia! Por isso deixo sempre o rasto dos meus cabelos a indicar-te o caminho do meu corpo. Se fores vento consegues! Mas precisas de ter ganas de ser relâmpago. Para te cruzares no meu caminho e explodirmos ensemble a multiplicar estrelas!
Não me faças mais frio nem me exponhas às correntes de ar...
Aviso-te! Se tens medo do fogo, não brinques com fósforos!


23 De Fevereiro 2006
(S-uave L-ua e B-rasas. Despida no Cosmos.)

Traqueia entupida com novelos de palavras e promessas de uma vida melhor... Vem para cima que há-de ser melhor, que hás-de ser melhor!
O Van Gogh já cortou a orelha há muito tempo! (talvez pelas mesmas razões). Pintava girassóis ao sol, como o sol.
De um amarelo tão forte que podia doer, como os meus batimentos cardíacos.
O processo é longo e cansa-me. Como as cores saturadas. Pinto a minha tela mas ainda estou na primeira linha...
As minhas roupas espartilham-me o corpo que aumenta sem eu lhe ordenar. Ordeno os pensamentos que já não cabem em mim. Desenrolo os novelos de palavras na tentativa de decifrar o código e aliviar um pouco as cordas vocais. Bebo um copo para empurrar o resto. Vivo o resto para empurrar o tempo. Queria ser uma nuvem, a pairar, apenas. E só isso. Leve, sem textura.
Monto um cavalo-alado que ainda se está a recuperar da gripe das aves, espirra muito e fazemos a viagem aos soluços. Parece um trote-soluçado.
Fizemos um voo rasante a acompanhar os golfinhos que faziam uma corrida. Os nossos saltos pareciam os deles, só que eles não estavam constipados!
Fomos para as montanhas onde parámos para descansar e beber água. Engasguei-me com uma truta que quase me entrou pela retina. Fiquei com soluços, o que não era uma boa combinação para mim e pró meu cavalo engripado!
Decidi fazer um casaquinho pró meu cavalo e comecei a tricotar, ainda tinha o resto daquele novelo na traqueia.
Tricot-Tri-Cot-I, Cot-Tri-Cot, faziam as agulhas a bater uma na outra a tecer o meu casaquinho-apalavrado que estava a ficar lindo! Quando acabei, arrotei!
- Bom proveito! Disse-me o cavalo que era bastante educado.
Vesti-lhe o casaquinho e ele com as asas quentinhas sentiu-se melhor.
Retomámos a viagem até ao arco-íris onde ele morava.
Abraçámo-nos e rimos da nossa passeata. Deixei-lhe uma borboletinha na crina e vim-me embora, a escorregar no Anil até casa...
O sol já se estava quase a pôr e lembrei-me dos girassóis.
Pintei um sol enorme na minha tela com cores que trazia nos olhos.
De nada me servia cortar uma orelha, faz falta!
Pousei os pincéis.


22 De Fevereiro
(Papoila à laia de Girassol)

sexta-feira, março 03, 2006


A solidão é um hospital fétido de cheiros de suores rasgados de gente que, estando cheia de gente, milhares de gente, está só. Tão só que o seu estômago é um buraco negro e o seu coração é cinza, cinza palpitante.
Essa gente que espera na sala de espera, desespera. Desespera por uma palavra, um toque, um: " Deixe lá, amanhã acordamos cheios de sol e de flores na boca! " .
Mas o senhor da recepção manda tirar uma senha, e todos esperam na sala de espera com a sua senha-da-cor-do-mal-respectivo, a merda de um fio de vida, que lhes empreste aos dentes podres-da-paciência-contida de vidas monótonas de musgo, uma pincelada de aguarela!
- Hormonas de alegria? Mandaram-me p'ráqui! É em ampolas ou fazem transfusão?
- Hormonas de alegria esgotaram há 100 anos atrás, minha senhora !
- Como?!?
- É verdade. Já não há dadores há muito tempo.
Olhe, a última transfusão que fizemos foi a um menino cinzento, que estava quase, quase a ficar adulto antes do tempo, todos tememos pela vida dele, um risco enorme, felizmente safou-se, coitadinho!...
- Ah! Coitadinho!... E eu? O que faço agora? A minha pele está roxa, não tarda está cinzenta e aí... Nem sei...
- Não posso fazer nada minha senhora, só se for ali á consulta de estupidez convulsa, pode ser que lhe receitem um pouco de "Sentido Crítico", dá sempre jeito, contudo, torna as pessoas um pouco amargas...Hum! Realmente...Não sei...
- Olhe, eu é que não saio daqui sem um a receita qualquer! Olha Q'uesta! Uma pessoa vem p'ráqui gastar tempo de vida de
Solidão-acompanhada, e sai daqui sem nada?! Nem um tónicozito capilar inteligente para cabelos loiros?!? Não! Isso é que era bom!
- Sente-se um bocadinho, vou ver o que posso fazer...
- Ali, ao lado daquele senhor da "Roda dos milhões"?
- Não. Isso é psiquiatria! Não me diga que a senhora anda aí metida com cantores como o Emanuel?!?!
- Não. Mas tenho pena destas pessoas...
- Sente-se ali naquelas cadeiras amarelinhas, como são alucinógeneas, sempre dá para fazer uma viagenzita! E têm uma vantagem: Não causam dependência! Eu volto já! Não se preocupe.
Ao entrar num mundo amarelo-de-tinta-de-pintar-paredes-de-casas-alentejanas
Sentia-se flutuar livremente na fluidez baça da tinta que lhe acariciava o corpo com a mansidão de uma tarde de Primavera. O coração batia agitado com o gotejar de orgasmos que lhe escorriam do corpo enrugado de nunca Ter sido amado de verdade, vertigens coloridas projectavam-na para o fundo do rio-amarelado...
- Ah! Está aqui!
- Hã?!?
- Acho que encontrei algo que a pode ajudar.
- Diga. Diga. Estou um bocado afogueada, desculpe!...(Esboçou um sorriso tímido).
- Não tem importância, mas como dizia: encontrei na enfermaria uns " Embriões-de-Gargalhadas" congeladas, acho que pertenciam a um programa televisivo do século passado o "Arreganha-a-Taxa", promovido na altura, pela Liga Portuguesa Contra os Rostos Sisudos, para angariar gargalhadas para as vítimas do parlamento. As pessoas que concorriam, iam para lá vomitar gargalhadas, que eram todas aproveitadas para a cura das vítimas parlamentares.
Olhe, algumas das melhores até foram usadas no tratamento daquele
gajo, o Mário Soares, é que antes do 25 de Abril, o gajo acumulava
muitas tensões faciais que lhe puxavam os músculos para baixo!
Depois, "Vzet" injectaram-lhe umas boas gargalhadas nas
bochechas... E até lhe deixaram algumas de cada lado criando em
cada uma das bochechas um reservatório de emergência, caso se
desse a revolução dos cravos, p'ra ele fazer crer aos outros que vivia
num mar de rosas. Foi daí até, que depois surgiu aquele slogan,
muito conhecido: "Soares é fixe!".
- Ah! Então deve ser bom...
- ...Bem ele já devia Ter injectado mais, mas agora...Já está muito flácido...Não há nada que se lhe possa injectar agora...Só se ele puser ali uns bocados de pão em cada lado, sempre estica um bocado a pele...
- ...Talvez se ele usar pão alentejano...Sempre é mais rijo...
- Boa ideia! Vou já telefonar para a SIC (Sabem Isto Come-pessoas), no programa do senhor Henrique Mendes ele vai encontra-lo de certeza! Eu tenho fé! Ouvi dizer que ele agora é bailarina aí num night club, o...ai, nunca me lembro do nome! A...”A Marmota-Cor-de- -Laranja” é isso! Dizem que é muito bom naquilo que faz!
- Coitadinho...A política...A sobrevivência...
E agora, como posso tomá-los?
- Tem moedas de 1 Euro? É que esta máquina já é muito velhinha...
- Hum! Deixe-me ver...Parece que sim...Estava a guarda-las para a minha neta pôr no porta-moedas, que lhe comprei na feira das velharias. É pedagógico, para as crianças saberem como era antigamente! Isto já não é o que era!
- Pois! É assim a vida!
Agora faça o seguinte: ponha os embriões no contentor azul do lado esquerdo da máquina, depois introduza as moedas e seleccione comprimidos ou supositórios...Terão de ser supositórios, os comprimidos estão encravados há já uma data de anos, olhe foi com uma receita de “Educação Sexual para a 3ª Idade”...Foi um surto, minha senhora...Como eu nunca vi!
Até que a máquina encravou, porque só os velhinhos sem dentes é que levavam em supositórios, sabe? E é assim, o ministério da saúde não nos dá outra tão cedo!
Isso deve dar aí uma três caixas de “Supositórios Gargalháticos”, põe um ao levantar e um ao deitar, que é para dormir mais animadinha!
- Obrigado pela sua atenção!
A máquina regurgita-lhe 3 caixinhas de supositórios vermelhos, só de terem uma cor tão viva já eram engraçados, mas p’ra quem já estava a passar do roxo para o cinzento, mesmo que viesse a ficar amarela, a sua pele, não teria as cores berrantes da juventude. E num encolher de ombros ressonado vem-se embora. Dá uma última olhadela na sala de espera, onde sozinha estava tanta gente á espera. E, cruzando o olhar com o empregado da recepção, este diz-lhe: - Adeuzinho, as melhoras! Tive muito prazer em tocar-lhe!
- Adeus, obrigado. Até á próxima! (Saiu pensativa...).
Será que ele tinha mãos de tinta amarela?!...
E com aqueles pensamentos vagos de dormência galáctica, passeava distraidamente ao longo da grande avenida par o fim do mundo, os seu passos lentos aderiam no chão molemente, como se fossem feitos de pastilha elástica de carne de amora silvestre.
Sentou-se na paragem dos autocarros, esperou, esperou...Passaram dois para a Menopausa, mas do seu, nem sinal!
Estava tão cansada! Cansada de esperar a vida inteira...Apanhou um taxi para casa.
Espalhou-se no sofá e fechou os olhos. – Que dia ! Pensou. As forças haviam- -se-lhe esvaído como a água da banheira assim que puxamos o “ralo”, o corpo relaxado confundia-se com o padrão do sofá estampado com sonhos frustrados numa fusão entre um abraço quente e um fosso enorme em que o único sentimento concreto é a solidão. Que bom! Que calmo! Que fundo!
Da televisão jorravam cascatas de cores gordas e sons grotescos, de risos pastosos de meninas despidas de corpo e vestidas com “maillots” de Néon. E os corpos caem como peixes, fora do aquário-Tv e ficam ali a morrer de tédio por baixo do televisor.
Tão perto e tão longe!...
Enquanto os Homens-peixe se debatiam pela vida no chão da sala, a mulher ergue-se numa convulsão de: “ Tenho as salsichas ao lume!” – O medicamento, o medicamento!...
O gosto mórbido pelo sofrimento...
- É tão bom termos pena de nós próprios, deixamos de nos sentir tão
sozinhos, até parece que estamos acompanhados! Bom, mas o
remédiozinho de certeza que me vai pôr melhor!
De repente, os seu olhos ficaram caídos putrefactos na data de validade.
- Expirra Amanhã! (Deficiência de carregar nos erres, coitada!).
Ali estavam eles, todos vermelhinhos e prontos para expirar no dia seguinte.
- Isso é que não! Agora vou tomá-los todos! Antes que expirre o prazo!
‘inda foram caros e não tiveram comparticipação!!
Sob a colcha florida (tipo camisa de cantora “pimba”), põe-se em posição de alvo. Introduz o primeiro “Obus” e...Alguns segundos...”Pum”! Aí vai ele, o “vermelhinho”! Dá umas quantas voltas ao pouco perfumado e frágil intestino daquela mulher.
Uma brisa...Solta-se um gás que deixando se ser “Lagrimogéneo”, surpresa!!!...
Saiu-lhe um gás “ Gargalhogéneo”!
- Hum! Isto tem piada! Vou experimentar outro! Ah! Ah! Ah! – Isto é giro! Vou pôr outro! Ah! Ah! Ah! Ah! – Outrooooo! Ah! Ah! Ah!
Completamente hilariante, embriagada de riso...Acaba com as 3 caixas...
Tudo está no mesmo sitio, a calma vem pé-ante-pé silenciosa e quente, a sala: Igual. Só mais corpos de Homens-peixe caíram do aquário-Tv, que continua freneticamente a vomitar imagens, palavras, Homens-peixe, “maillots” de Néon que as meninas já despiram, devido ao adiantado da hora...
Noticiário: - Boa noite, abrimos com uma notícia, no mínimo insólita! Uma mulher, com idade para Ter juízo e o IRS e a Segurança Social em dia, suicida--se com uma “overdose” de gargalhadas. Não se sabe a origem da droga ou como ela a obteve...
Foi encontrada feliz, no seu apartamento, com as pupilas completamente dilatadas como duas frigideiras de paelha, e com um enorme gozo impregnado em todo o corpo com marcas vermelhas em forma de corações. Gozo irritante, montes de gozo, quilos de gozo, puro gozo, gozo cintilante...Gozo! Gozo...Gozo...Gozo...Gozo...
A solidão é um hospital sem nome com pessoas sós, sós porque não têm boca, sós porque não têm gozo.
Sós, só isso!




FIM








14 de Maio de 1999